Eleições estaduais no Pará em 1960
As eleições estaduais no Pará em 1960 ocorreram em 3 de outubro como parte das eleições gerais em onze estados cujos governadores exerciam um mandato de cinco anos. Neste dia foram eleitos o governador Aurélio do Carmo e o vice-governador Newton Miranda.[1][nota 1]
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Eleições estaduais no Pará em 1960 | ||||
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3 de outubro de 1960 (Turno único) | ||||
Candidato | Aurélio do Carmo | Aldebaro Klautau | ||
Partido | PSD | PSP | ||
Natural de | Belém, PA | Belém, PA | ||
Vice | Newton Miranda | - | ||
Votos | 118.129 | 54.235 | ||
Porcentagem | 54,56% | 25,05% | ||
Titular Eleito | ||||
Eleito com votação nominal recorde, o advogado Aurélio do Carmo levou o PSD à sua terceira vitória em quatro disputas pelo Palácio Lauro Sodré.[2] Nascido em Belém, formou-se advogado pela Universidade Federal do Pará e antes fora escriturário do Tribunal de Justiça. Após o Estado Novo assumiu as funções de promotor de justiça em Castanhal e na capital paraense. Chefe da Defensoria Pública do Estado e depois secretário do Ministério Público, foi também delegado de polícia e corregedor da Secretaria de Segurança Pública.[3][nota 2]< Sua ascensão política ocorreu ao assumir o cargo de secretário de Justiça por escolha do governador Magalhães Barata e ficou no cargo até candidatar-se a suplente de senador em 1958. Com a morte do governador, foi apontado por Moura Carvalho, sucessor do falecido, como candidato ao governo estadual, sendo eleito em 1960.[1][2]
Seu mandato teve fim em 9 de junho de 1964 quando o presidente Humberto Castelo Branco recorreu ao Ato Institucional Número Um e cassou-lhe o mandato suspendendo seus direitos políticos por uma década, bem como os do vice-governador Newton Miranda, o primeiro a ser eleito para o cargo através do voto popular.[4] Diante da nova realidade, Aurélio do Carmo voltou à advocacia, lecionou na Universidade Federal do Pará e foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Pará quando a situação assim o permitiu. Em 2013 teve o seu mandato restituído simbolicamente pelos deputados estaduais numa cerimônia.[5]
O governo do estado foi entregue a Dionísio Bentes de Carvalho, presidente da Assembleia Legislativa do Pará até que a mesma elegesse Jarbas Passarinho governador e Agostinho Monteiro vice-governador do estado como prepostos do Regime Militar de 1964.[6]
Resultado da eleição para governador
editarSegundo o Tribunal Regional Eleitoral houve 216.516 votos nominais (93,03%), 7.480 votos em branco (3,21%) e 8.736 votos nulos (3,76%), resultando no comparecimento de 232.732 eleitores.
Candidatos a governador do estado |
Candidatos a vice-governador | Número | Coligação | Votação | Percentual |
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Aurélio do Carmo PSD |
Ver abaixo - |
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Aldebaro Klautau PSP |
Ver abaixo - |
(PSP, PL, PTN, PR, PSB) |
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Zacarias Assunção UDN |
Ver abaixo - |
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Fontes:[1][2][nota 3] |
Resultado da eleição para vice-governador
editarSegundo o Tribunal Regional Eleitoral houve 201.673 votos nominais (86,65%), 22.825 votos em branco (9,81%) e 8.234 votos nulos (3,54%), resultando no comparecimento de 232.732 eleitores.
Candidatos a governador do estado |
Candidatos a vice-governador | Número | Coligação | Votação | Percentual |
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Ver acima - |
Newton Miranda PSD |
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Ver acima - |
Armando Carneiro PST |
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Ver acima - |
Prisco dos Santos UDN |
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Ver acima - |
Alfredo Gantuss PDC |
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Fontes:[1][2][nota 3][nota 4] |
Notas
- ↑ Os governadores eleitos em 19 de janeiro de 1947 terminaram seus mandatos no mesmo dia que o presidente Eurico Gaspar Dutra e a partir de então, na ausência de uma vedação constitucional, Alagoas, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte e Santa Catarina fixaram em cinco anos o mandato de seus governadores, sendo que Goiás e o recém criado estado da Guanabara aderiram à regra do quinquênio em 1960.
- ↑ Anteriormente a Defensoria Pública do Estado era chamada de "Assistência Jurídica Cível" enquanto a Secretaria de Segurança Pública era o "Departamento de Segurança Pública".
- ↑ a b Na época a eleição para governador e vice-governador acontecia em chapas distintas, fato capaz de resultar numa combinação entre adversários ao final do pleito.
- ↑ Aparentemente a coligação na qual Newton Miranda e Alfredo Gantuss estavam inseridos foi dividida sem resultar numa afronta à lei.
Referências
- ↑ a b c d BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. «Eleições de 1960». Consultado em 6 de janeiro de 2024
- ↑ a b c d BRASIL. Tribunal Regional Eleitoral do Pará. «Resultado das eleições gerais no Pará – 1945 a 2006». Consultado em 6 de janeiro de 2024
- ↑ BRASIL. Fundação Getúlio Vargas. «Biografia de Aurélio do Carmo no CPDOC». Consultado em 6 de janeiro de 2024
- ↑ Redação (10 de junho de 1964). «Castelo suspende direitos políticos do Governador do Pará por dez anos. Primeiro Caderno – p. 04». bndigital.bn.gov.br. Jornal do Brasil. Consultado em 6 de janeiro de 2024
- ↑ Ingo Müller (1 de abril de 2014). «"A constituição foi rasgada", diz governador deposto na ditadura». g1.globo.com. G1 Pará. Consultado em 6 de janeiro de 2024
- ↑ Redação (14 de junho de 1964). «Passarinho toma posse amanhã, com secretariado ainda em entendimentos. Primeiro Caderno – p. 19». bndigital.bn.gov.br. Jornal do Brasil. Consultado em 6 de janeiro de 2024